Confesso que ainda estou tão atordoada pelas circunstâncias
que nem consigo raciocinar direito. O que sinto é uma tristeza enorme que luta
contra uma vontade de não cair em desesperanças. O fato é que hoje pela manhã,
quando estava a caminho do trabalho recebi a notícia de que uma vizinha minha -
e amiga de alguns entes da família – não tinha resistido aos ferimentos e havia
falecido durante a madrugada. O motivo do seu óbito? O abandono do estado, a
desvalorização da vida, a falta de segurança, dentre tantos outros motivos. Mas
traduzindo e resumindo a culpa ao responsável de ter apertado o gatilho, o que
acontece é que por volta das 18h40 de ontem uma jovem que estava praticamente
na porta de sua casa, foi assaltada e teve sua vida ceifada por conta de um
simples celular. As primeiras leituras de rostos e falas são de surpresa,
tristeza e indignação: “Como pode alguém perder a vida por causa de um celular?”,
“A que ponto chegamos!”. Os leitores podem perguntar: E a polícia? Bem... Da
polícia eu nem ouço falar... Sua ausência parece ser um fato e a certeza da sua incapacidade de resolver o
problema em pauta parece ser unanimidade no discurso que fica oculto. Eu que
infelizmente vejo cotidianamente o resultado de diversos tipos de situações de
violência, confesso que fui “baqueada” pelas
circunstâncias e sinto que tomei uma “porrada” da qual não será fácil me
recuperar, seja pelo absurdo do fato em si ou pelo fato de tamanha barbaridade
ter invadido a minha casa sem bater na minha porta e sem pedir licença para
entrar. A sensação que tenho é que estamos, como já dizia uma expressão popular
“
a Deus dará”.. Mas nesse momento cabe uma reflexão já cantada por Cássia Eller na
música Partido Alto: “E se Deus não
dá... Como é que vai ficar?”
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