segunda-feira, 14 de junho de 2010

Vozes da Seca


"Pois doutô, dos vinte estados

Temos oito sem chover

Veja bem, quase a metade

Do Brasil ta sem comer"
Luiz Gonzaga

domingo, 13 de junho de 2010

Xaxado

Continuando nossas postagens sobre os ritmos que compõem a ampla e rica musicalidade nordestina falaremos hoje a respeito do Xaxado, ritmo amplamente divulgado pelo Rei do Baião que em uma de suas músicas define:


O Xaxado originalmente era uma dança exclusivamente masculina, cuja origem provoca muitas controvérsias entretanto o respeitado e clássico pesquisador das manifestações populares do Nordeste Câmara Cascudo afirma em Dicionário do Folclore Brasileiro que ela teve suas origens no alto do sertão de Pernambuco e que percorreu a Bahia ganhando fama e gosto através da divulgação realizada pelo cangaceiro Lampião e dos cabras de seu grupo.
A dança é realizada em circulo, fila indiana, um atrás do outro, sem volteio, avançando o pé direito em três e quatro movimentos laterais e puxando o esquerdo, num rápido e deslizado sapateado. Os cangaceiros a executavam marcando a queda da dominante com uma pancada na foice do fuzil. Inicialmente não possuía acompanhamento instrumental, os dançarinos repetiam em uníssono a quadra e o refrão, posteriormente foi que ganhou a companhia da zabumba, sanfona, do pífano e do triângulo.
Na sua versão original não existiam mulheres na dança, elas eram representadas pelos rifles, já que as mulheres mormente não faziam parte dos grupos de cangaceiros, entretanto atualmente já existe a presença feminina nos grupos que apresentam o xaxado por todo o país.
Vejamos abaixo algumas apresentações de grupos que dançam o Xaxado. Percebam que na apresentação do Grupo de Dança Caetés ainda é conservado o tradicionalismo de que só homens dançam com os rifles, pois de acordo com a história da dança ele é quem representa a dama, já na apresentação do Grupo Pisada do Sertão homens e mulheres dançam com o armamento.

Grupo de Dança Caetés



Grupo Pisada do Sertão


sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vozes da Seca


“Mas doutô, uma esmola

A um homem que é são

Ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”

Luiz Gonzaga

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O melhor mês do ano

No mês típico de comemoração dos festejos juninos aqui no nordeste, onde a população por morar em uma região árida, costuma agradecer a São João e a São Pedro pelas chuvas que favorecem uma boa colheita, nosso cantinho também entra em ritmo de "São João" e segue ao som de muito forró.O forró é considerado um tipo de festa, de dança e de música típica da região nordeste e conforme estudos realizados por historiadores, teve sua origem no século XIX.
Falando na dança, uma das principais características do forró tradicional é o fato de se arrastar os pés durante a dança. Na época do seu surgimento era necessário jogar água nas pistas de dança, pois estas eram feitas de barro batido e os dançarinos dançavam arrastando os pés para não levantar a poeira. A dança é realizada por casais que com os corpos bem colados de acordo com Geraldo Azevedo e Geraldo Amaral vão "misturar o suor".
Em se tratando de música, o forró é realizado através dos seguintes instrumentos : Triângulo, Zabumba e Sanfona, que unidos a outros instrumentos formam vários gêneros musicais. Podemos dizer também, que o forró é a coletividade da música nordestina, pois ele comporta vários gêneros musicais como baião, xaxado, xote, côco e marchinha. No decorrer do mês junino tentarei, em meio a falta de tempo de todos os dias trazer pra vocês um pouco desses gêneros musicais e muito de forró. Essa festa, música e dança que apesar de ser tipicamente nordestina se espalhou por todo o Brasil juntamente com os imigrantes nordestinos nas décadas de 60 e 70. E pra não perder o costume deixo vocês hoje com Geraldo Azevedo cantando e explicando qual é o Tempero do Forró e com Petrucio Amorim, o Poeta, cantando "Eu Não Preciso de Você".
Clique no link abaixo para ouvir OnLine ou fazer o download da música:
Petrucio Amorim - Eu não preciso de você:

Eu n

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Quando Fevereiro Chegar

Continuando nossas postagens sobre Geraldinho Azevedo e em homenagem a um dos caros e raros visitantes do nosso cantinho, uma dessas poucas pessoas que se dispõem a querer ver, ouvir e conhecer um pouco das loucuras que me deixam feliz, é que deixo vocês hoje com o vídeo que possui uma parte do Show de Geraldo Azevedo realizado em Recife, no ano de 2009. Pra você e com vocês "Quando Fevereiro Chegar":
Obs: Por não se tratar de um vídeo oficial e profissional, o mesmo por vezes aparenta pequenos tremores, apenas perceptível aos olhos, nada que tire a beleza da música. Foi o melhor que eu consegui achar em termo de qualidade.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Vermelho - Vanessa da Mata




"No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego"
Vanessa da Mata

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Canção da Despedida

De acordo com a ideologia autoritária pregada pelo governo militar durante a ditadura, a música possuía a função de educar e doutrinar. Composições que exaltassem a malandragem e a boêmia ou que fossem de encontro a ideologia pregada pelo governo, por exemplo, não deveriam ser divulgadas pelos canais de comunicação. Para exercer a censura ao teatro, ao cinema, a radiodifusão e a imprensa como um todo, com o intuito de difundir e de popularizar os ideais do Estado Novo, em Outubro de 1939 foi criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Durante o seu período de vigência vários artistas tiveram suas músicas censuradas por muitos anos e alguns foram perseguidos pelo regime militar sendo obrigados a exilar-se em outros países. Geraldo Vandré foi um dos músicos, compositores da época que se viu obrigado a exilar-se para fugir dos rigores do autoritarismo da ditadura, após sua música "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores", canção que ficou conhecida como hino de resistência do movimento civil e estudantil à ditadura militar, ter sido censurada e sua cabeça posta a prêmio.

No mesmo ano, 1968, em que "Caminhando", nome pelo qual também é conhecida a música citada acima, ganhou o Festival Internacional da Canção Vandré juntamente com Geraldo Azevedo compôs “Canção de Despedida uma crítica a ditadura coberta por uma fina capa de romance que conta a história de separação de um casal de amantes. A música versa a respeito de um “rei mau”, na época o então presidente Costa e Silva, que “não queria o amor em seu reinado, pois sabia não ia ser amado”. O trecho citado faz referência ao momento de instituição do AI-5, em que a ditadura militar já começava a perder folego, pois as manifestações estudantis estavam conseguindo reduzir consideravelmente o apoio da classe média ao governo militar. Na música o amante que vai embora forçadamente: “eu quis ficar aqui, mas não podia” pede para quem fica: “não chora”, explicando que “a hora é de deixar” mas deixa esperança de retorno: “pois sei que vou voltar... Se volto é pra ficar”. A canção de pronto foi barrada pelos censores e ficou anos até poder ser gravada. Geraldo Azevedo a gravou em 1985, na faixa 09 (nove) do disco Luz do Solo. Em Dezembro de 1968 Vandré se exilou no Chile e depois na França só retornando em 1973 e não mais se apresentou em palco brasileiros apesar de continuar fazendo música.