Sabe quando você está num relacionamento lutando contra todas as correntezas, utilizando as ultimas forças e ignorando todos os fatos que mostram que o fim já aconteceu mas ainda não foi reconhecido? Quando o medo da perda, do desconhecido, do vazio... é maior que o sentimento de dor que aponta no termômetro da relação mostrando que esta se encontra febril? Quando a vontade de ficar parece não ser recíproca e a coragem de conversar a respeito do assunto é nula?
Parece que é nesse estágio de perda amiúde que se encontra o sujeito de Trocando Em Miúdos de Chico Buarque. Eu tenho quase certeza disso quando ouço... "Eu bato o portão sem fazer alarde;Eu levo a carteira de identidade; uma saideira, muita saudade; E a leve impressão de que já vou tarde". Me parece uma saída típica, e não por isso menos digna, de quem cansou de sofrer ao tentar reconstruir sozinho o que só foi erguido porque existiam dois. Sem barulho... Para não chamar a atenção dos vizinhos, curiosos de plantão, para evitar perguntas que nunca terão uma resposta racional e para se refugiar na própria solidão que trará conforto, refúgio e força.
Se em primeiro momento, e apenas em primeiro momento, a letra de Trocando em Miúdos parece ser embutida de raiva, o decorrer da leitura mostra que o que o sujeito sente mesmo é tristeza, parecendo aquela forma de adorar pelo avesso, que Chico canta em Atrás da Porta. Enfim... Acho que eu já troquei em miúdos, acho que raríssimos e mentirosos são os que dizem que nunca passaram por essa experiência e iludidos são os que acreditam que nunca vão passar por ela. Acho também que a musica é muito linda e triste, acho a interpretação de Chico quase perfeita e acho que vocês vão gostar de ver ou rever o que tem no vídeo abaixo...
Um comentário:
Uau... que orgulho dessa escritora! Quando publicar o romance, quero participar pelo menos do prefácio! heheheeh
Bjos
Postar um comentário