O Bêbado e A Equilibrista
(João Bosco / Aldir Blanc – 1979)
Intérprete: Elis Regina
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.
Meu Brasil.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar...
O bêbado e a equilibrista foi composta em 1979 e tornou-se o hino da luta pela anistia, pela volta dos exilados e pela abertura política do regime militar. A canção ficou consagrada na belíssima voz da cantora Elis Regina que participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira.
Elis foi quem apresentou Henrique de Souza, o famoso cartunista Henfil, a Aldair Blanc no verão de 1975. Período em que o cartunista e o letrista iniciaram uma amizade. Henfil falava muito ao amigo do seu irmão Bentinho, sociólogo e ativista pelos direitos humanos que foi perseguido e exilado pela ditadura militar em 1971. Com a morte de Charile Chaplin, em 1978, João Bosco fez uma melodia belíssima em sua homenagem e Aldair Blanc a letrou fazendo uma dura crítica a ditadura e uma homenagem ao amigo ao citar a sonhada volta do "irmão do Henfil" .
Confira a interpretação política da música em: http://www.ponto.altervista.org/Musica/entrelinhas/bebadopt.html
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